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"Exportar" executivos exige cuidados

 

Com a internacionalização das empresas brasileiras, cada vez mais elas enviam executivos para o exterior. Mas não é tão simples assim

 

Assim como os jogadores de futebol, que sonham jogar no exterior, executivos de grandes empresas também almejam fazer sucesso fora do País e, com isso, "engordar" o seu pé-de-meia e enriquecer o currículo. Só que trabalhar fora do País não é tão simples assim. Além de ter de enfrentar as dificuldades inerentes de outras culturas, esses executivos correm o risco de ver suas famílias não se adaptarem ao "novo lar" e, com isso, contribuírem para que não alcancem o desempenho deles esperado.

Um levantamento mundial da consultoria Mercer, especializada em recursos humanos, revela que cerca de 40% das expatriações são malsucedidas, acelerando o retorno dos executivos aos países de origem. No Brasil, cujo movimento vêm crescendo graças à internacionalização de empresas como Votorantim, Camargo Corrêa, Natura e WEG, os dados são bastante semelhantes.

Para garantir o sucesso da ida do executivo, já que uma expatriação tem um custo de até três vezes mais que o funcionário alocado no país de origem, as empresas vêm tomando alguns cuidados. O primeiro ponto é preparar o expatriado e sua família para a mudança, com viagens prévias para conhecer o país da transferência. Em seguida, definir um mentor para acompanhar a carreira do expatriado. Nesse caso, a experiência de um ex-expatriado conta muito. É o caso da siderúrgica WEG, de Santa Catarina, que mantêm 37 executivos no exterior e que prepara a ida de outros dez, ainda este mês. A empresa coloca à disposição dos executivos um funcionário local, que faz o papel de "anjo-da-guarda" para auxiliar na fase de adaptação dos novos colegas.

Para quem vai para países nada "amistosos", como os do Oriente Médio e os da África, os cuidados são ainda maiores. A Camargo Corrêa, por exemplo, tem um "especialista" no assunto, uma espécie de cicerone. Trata-se de Carlos Fernando Namur, que chegou a morar no Irã quando era executivo da Odebrecht. Hoje, Namur ocupa o cargo de diretor de projetos internacionais da Camargo Corrêa e tem sob sua responsabilidade 150 expatriados.

Além do sonho de ter uma carreira promissora, o candidato aos postos fora do País da Camargo Corrêa conta com benefícios vantajosos, como aumentos salariais que variam de 25% a 40%. A moradia, a escola dos filhos, os cursos de idioma para toda a família e os custos com a mudança também são subsidiados pelas empresa.

 

Interesses

A falta de adaptação da família responde por 47% das expatriações malsucedidas, de acordo com o estudo da Mercer. Preocupadas com isso, as empresas brasileiras colocaram em suas políticas de transferência que uma das regras é levar em conta os interesses dos cônjuges e dos filhos dos funcionários.

Esses interesses nem sempre têm a ver com o desejo de não deixar o País. Citada pela revista "Exame", a engenheira civil Carolina Sanvezzo, de 28 anos, quase disse "não" ao ser convidada para trabalhar na unidade da Odebrechet, em Dubai, nos Emirados Árabes. Por trás da dúvida estava a carreira do marido, também engenheiro civil. Como a presença da funcionária era indispensável, a solução proposta foi a de contratar seu marido. Os dois se mudaram em agosto.

Proposta semelhante recebeu Alexandre Nicolini, da Votorantim Papel e Celulose. Foi-lhe oferecido a gerência comercial da área da celulose no escritório da Suíça. No pacote, o direito a uma verba para sua esposa frequentar cursos. "A experiência tem de ser enriquecedora também para ela, para compensar as muitas coisas que deixou para trás", afirmou à revista.

 

Arma interessante

 

O acompanhamento inicial com psicólogos é uma arma interessante para eliminar conflitos. A consultora Andréa Massoud, especialista em processos de expatriação de executivos, diz que é importante que as pessoas sintam que não estão se sacrificando pelas outras. "Na primeira briga, isso vem à tona", enfatizou, ao dizer que seu trabalho de preparação inclui conversas com o casal e mostrar a importância de ser cúmplice do outro na nova jornada.

Faz parte, ainda, da "cartilha de transferência" a manutenção de contatos freqüentes com a matriz. A medida é fundamental para que o expatriado não se sinta abandonado e uma forma de não perder o vínculo com a realidade brasileira.acompanhamento inicial com psicólogos é uma arma interessante para eliminar conflitos. A consultora Andréa Massoud, especialista em processos de expatriação de executivos, diz que é importante que as pessoas sintam que não estão se sacrificando pelas outras. "Na primeira briga, isso vem à tona", enfatizou, ao dizer que seu trabalho de preparação inclui conversas com o casal e mostrar a importância de ser cúmplice do outro na nova jornada.

Faz parte, ainda, da "cartilha de transferência" a manutenção de contatos freqüentes com a matriz. A medida é fundamental para que o expatriado não se sinta abandonado e uma forma de não perder o vínculo com a realidade brasileira.

 

 
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